Yoga – integração mente e corpo

Yoga corpo e mente

Yoga corpo e mente

O Yoga é uma prática composta por seqüências de asanas, que são as posturas psicofísicas, ou seja, posturas que mobilizam tanto o corpo físico quanto o psíquico. Desta simples informação podemos inferir uma verdade fundamental: há, constantemente, dentro ou fora da prática, uma efetiva (mas nem sempre explícita) interação entre corpo e mente. A existência deste contínuo intercâmbio nos leva ao entendimento de que a prática das posturas do yoga não é apenas uma experiência física, mas, também, um momento repleto de experiências subjetivas.

Mas como se relacionar com estes aspectos mais sutis da prática?

De acordo com Jung (psicólogo suíço), qualquer coisa experimentada ‘fora do corpo’ (sonhos, imagens, visões) só pode adquirir um sentido transformador se for verdadeiramente experimentada, ou seja, se for ‘incorporada’, porque o corpo significa o aqui e agora e o presente é o único momento no qual podemos nos transformar. Portanto, por mais valioso que seja o material subjetivo com o qual estamos entrando em contato, este só nos terá valia se for integrado e vivenciado na concretude do aqui e agora. E para que se esteja de fato no aqui e agora, é preciso estar no corpo. Mas, infelizmente, temos, fora e dentro da prática, uma faculdade bastante peculiar de sairmos do corpo.

Se não ‘assistimos pessoalmente’, se não presenciamos os acontecimentos subjetivos inerentes à prática, fazemos do yoga apenas uma série de exercícios físicos e perdemos a oportunidade de nos conhecer e nos transformar. Se não estamos presentes para ‘testemunhar’ o que nos acontece internamente durante a prática, o que quer que aconteça neste precioso momento não será verdadeiramente experimentado, ‘incorporado’. Se não estávamos lá quando aconteceu, no fundo, nada aconteceu, porque ninguém presenciou!

Assim, para que possamos aproveitar todo o material subjetivo que emerge durante a prática e aprender com as imagens, sentimentos, sensações e pensamentos suscitados, precisamos estar no aqui e agora, estar no presente, ESTAR NO CORPO. A auto-observação atenta, equânime e não julgadora torna-se fundamental, pois a idéia não é nos fixarmos nem nos distrairmos com os conteúdos que vêm à tona, pois assim perdermos o foco, nos perdemos na prática. Ao contrário, a proposta é mantermo-nos atentos ao fato de que a prática não é um processo físico, mecânico e automático, mas sim uma grande oportunidade para reconhecermos e observarmos, com o distanciamento necessário, nossos padrões desordenadores do equilíbrio interno.  A prática do yoga pode levar mente e corpo a uma maior quietude, e assim, num estado mais relaxado e natural, podemos adentrar, respeitosa e corajosamente, em nosso rico mundo interior.

Se a prática está carregada de valiosas experiências subjetivas e intangíveis, precisamos ‘incorporá-las’! E se o corpo é a realidade mais concreta e objetiva do ‘ser humano’, precisamos aprender a manter um relacionamento consciente com ele. Esta é uma das propostas da prática do yoga: tirar-nos da inconsciência dos fatos corporais (que guardam estreita relação com os fatos psicológicos) e nos ensinar a sensibilidade necessária para ouvir o que o corpo sabiamente nos fala!

A partir desta perspectiva, que parte do principio de que o homem é um ser uno em sua constituição psicofísica, podemos entender a prática de asanas como uma ferramenta para reconhecermos como as interações corpo/psique estão se processando. Podemos fazer da prática um momento privilegiado de auto-observação e auto-conhecimento. Desfrute deste momento!

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